Modalidades de amar

 É preciso saber conjugar o verbo em suas várias modalidades, aprendendo progressivamente a respeitar, compreender, perdoar, esperar, servir e sorrir ao mesmo tempo. Busca-se o embasamento dessas modalidades nos ensinamentos de Jesus: “ninguém tem mais amor do que aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo. 15,13).

Respeitar significa aceitar o outro como ele é. Ele/ela são fundamentalmente diferentes, a começar pela distinção radical dos sexos. Se houvesse esse respeito não haveria tantos problemas matrimoniais.

O homem sente-se superior como protetor e a mulher sente-se inferior como protegida, mas a revolução sexual e profissional feminina mudaram drasticamente esse quadro. O homem sentiu-se perturbado, hoje não sabe mais qual  é o seu papel…

A mulher entrega-se sem medida, esperando que o homem a ame acima de qualquer interesse.

O homem tem uma  certa tendência a se utilizar da mulher. Trabalhando fora de casa julga-se com o direito de usufruir do merecido descanso.

A mulher não trabalhando fora, se dedica a um trabalho estafante e muitas vezes não reconhecido e para aquelas que trabalham fora tem um 3º tempo…

Essas diferenças se acentuam no ato conjugal. O homem, em geral, é mais carnal; enquanto a mulher é mais afetiva. O homem procura diretamente o orgasmo; a mulher a ternura. A mulher recusando-se ter relações sexuais diretas sem preparação necessária, deixa o homem chateado. Por outro lado, quando ocorrem relações sem a necessária ternura a mulher se sente “instrumentalizada”

Essas diferenças podem dividir os casais; mas elas deveriam unir, ambos devem complementar-se naquilo que um não tem e outro possui.

Respeitar é acolher o outro, aceitar suas idéias, sentimentos, atitudes, enfim, o seu modo de ser completo. Quanta alegria, confiança e liberdade quando o cônjuge o aceita como é e compartilha angústias, sonhos, dificuldades, provocações, sem julgamentos e senões…

Compreender significa identificar-se, de alguma maneira, com a personalidade do outro. Acolher o outro com toda a sua carga de alegria, tristezas, dores…. Compreender significa querer bem ao cônjuge com os seus defeitos. É preciso amar não apenas o que nos une, mas o que diferencia. Olhar com olhos novos exige esforço e perseverança. Precisamos ser maleáveis, menos críticos, ter o coração mais alargado.

Perdoar é o fruto da compreensão. Por isso é difícil perdoar,  como é difícil  compreender.

Esperar é outra modalidade de amar … o amor é paciente e tudo espera.

Cada pessoa tem o seu ritmo psicológico e biológico, observado nas horas de acordar dormir. Há cabeças lentas dedutivas, outras rápidas e intuitivas. Há temperamentos  românticos e sonhadores que conflitam com outros realistas e concretos. Acrescente-se as diferenças de sexo, idade, educação e cultura. Quem não vive a paciência, pode cair num estado de conflito permanente. È preciso respeitar o ritmo do cônjuge, dominando a inquietação, a impaciência e a irritação.

Carregar o fardo de uma angustia, de uma necessidade do nosso cônjuge. Em outras palavras não devemos ser a carga para o outro, não dando trabalhos a mais para o outro, evitando cuidados e tratamentos especiais.

Servir é uma forma concreta de amor e não precisa de muitas considerações ou preparações. É graficiante.

Sorrir é a modalidade de amar, primordial no meio de uma família. O riso inebria a alma do outro, símbolo da elegância… é forma delicada de perdoar. Ser amável é rejeitar a altivez , sendo menos frio.

A medida que avançam os anos, aparecem as decepções ocorridas, vem as preocupações com o outro, chega o cansaço  e as doenças que aparecem rouba a capacidade de sorrir. Mas, ainda que custe, não deixemos que nos arrebatem esse dom.  Mesmo que o  sorriso torne-se num sacrifício… sem dúvida é o melhor dos sacrifícios, no esforço de  tornar a vida do outro mais grata.

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