A imagem e semelhança de Deus

De acordo com o livro do Gênesis, o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus. A imagem reside no fato de o homem ter recebido Dele uma vontade livre e a capacidade de se autodeterminar. De fato, Deus é soberanamente livre em suas escolhas, e comunicou ao homem este poder. Com o pecado original, contudo, o homem não perde sua verdadeira natureza e sua qualidade de imagem de Deus, mas esta fica de algum modo deformada. A alma tornou-se desordenada em suas três faculdades: a razão não vê mais com clareza, a vontade é fraca e não escolhe o bem e a memória guarda as más lembranças do pecado. Da mesma forma, não conhece, não ama nem recorda Deus. Há agora uma certa dessemelhança, pois não escolhe mais espontaneamente o bem.

“É possível, contudo, restabelecer a semelhança perdida graças à sua condição de imagem e seu poder de “ser como Deus”, mas em sua dependência

Capaz de Deus por ser sua imagem, a alma pode retornar à sua condição original. Há uma afinidade básica entre esses dois pólos infinitamente distantes ao nível da natureza, e uma possibilidade de encontro através do amor, sendo o próprio Deus o Amor. Pois o amor é fruto da vontade livre que quer unir-se ao outro

“Assim, embora a sublimidade de Deus seja um fator de afastamento, a semelhança da alma humana com a natureza divina constitui um fator mais forte de aproximação.

A alma tudo pode ousar no amor, mas não está em condições de se redimir a si mesma nem de buscar a Deus por suas própria forças. Para elevar-se e encontrar o caminho do retorno a Deus, será necessário que a Graça salve a liberdade, e que esta consinta em ser salva.”

“Por outras palavras, o homem deverá sob a inspiração da Graça buscar a restauração da imagem divina que nele reside, renunciando a uma falsa liberdade exercida contra e independentemente de Deus e sua aliança de amor.”


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